domingo, agosto 27, 2006

inveja


 

A cada bela impressão que causamos, conquistamos um inimigo.
Para ser popular é indispensável ser-se medíocre.

Oscar Wilde

preciosidades


"Definitivo, como tudo o que é simples: a nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram"

Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, agosto 23, 2006

quando


faço expedições em mim, abalo e embrenho-me até onde consigo e deixo...
quase sempre venho de lá com a sensação de assombro e partido em retalhos...
cá no fundo, por mais sólido que me sinta, fácilmente me liquidifico...
perante mim... juiz/ julgado...

domingo, agosto 20, 2006

axioma

Se eu não tenho sobre mim próprio o direito de
matar, quem o concedeu à sociedade ?

Sénancour , Étienne


segunda-feira, agosto 14, 2006


A nossa maior glória não consiste em nunca cair,
mas em levantarmo-nos cada vez que caímos.

Confúcio

quinta-feira, agosto 10, 2006

"TEMPO...


venha um diabo que o leve... "

se



a realidade existe, com que facilidade se manipula... 
e após manipulada, deixa de ser real? ou as nossas realidades múltiplas mais não são do que 
um mosaico que reconstitui a nossa...  verdade?

sábado, agosto 05, 2006

Só os estúpidos têm uma confiança absoluta em si mesmo

Welles , Orson


Uma probabilidade razoável é a única certeza

Howe , Samuel

quinta-feira, julho 27, 2006

. . .


Não te queixes tanto das falhas de memória. Porque se soubesses tudo o que soubeste, não te poderias mexer. E então é que não terias nenhuma.

Ferreira, Virgilio

quarta-feira, julho 26, 2006


" Porque choram os teus olhos, diz
Porque tens medo do mar
Porque vives de ilusão e é fria a tua mão
E dizes sempre não
O que foi que o mar levou de ti
Com que ondas te enganou
Que esperança te roubou
Angústia te rasgou

Maria lua, dançando nua
No chão da rua
Maria, Maria vida fria
Maria mar, Maria amor, Maria paz
Maria tanto faz

Porque choram os teus olhos, diz
Porque tens medo do mar
Por um barco que não vem
Tua cama foi de cem
Teu corpo de ninguém
Em teu rosto de criança estão
Dois cardos de solidão
Na tua carne de mulher
As noites de quem quer
Maria lua, dançando nua
No chão da rua (...)"


José Nisa

quando


a brancura do silêncio grita entre os cacos do que foi o cristal da melodia...

denominadores comuns



Ressaltos de existências...
Fatalismos espalmados em faces descuidadas...
Artistas que não separam o realismo do 4º poder...
Escorregadelas no sebo das régies parlamentares...
Palavras gastas e usadas de erotismo sem tesão...

quinta-feira, junho 01, 2006

A família


veio a tornar-se no século vinte, a unidade básica afectiva.
Hoje, dia mundial da criança, recuo até á minha infância... a que me calhou em sorte desestruturou-se ou era por natureza desestruturada. A tal afectividade, esperei-a atrás de uma porta que permaneceu fechada.

quarta-feira, maio 31, 2006

cedo

A manhã junto ao cais estava fria. O azul do céu reflectia-se em circulos e linhas não contínuas, dando á água semi transparente um quê de psicadelismo.
A cabeça doeu-me ainda mais quando o silvo da grua irrompeu mesmo por cima do sítio onde eu passava. Café sem açucar devia sortir efeito. De repente os estímulos sonoros começaram a acentuar-se, como se a cidade tivesse começado a funcionar naquele instante- de facto a sensibilidade á dor agudizava-se ao mais pequeno grito de gaivota...
Bebi o café rápidamente. As borras lá no fundo da chávena deviam significar algo... quando ía a sair dei um encontrão numa negra cúzuda, como só as negras são. Não deve ter dado pelas minhas desculpas, já que gritou que “cria meia de reite e um corassante com créme”. E a cabeça num inferno de dor...
Entrei no barco de ligação ao outro lado. Vinha repleto á chegada, mas á ida embarcaram comigo meia duzia de pessoas. Recostei-me no conforto temporário da cadeira que se pareceu acentuar pela ausência dos acotovelamentos da hora de ponta.
Fechando os olhos, deu para perceber melhor o zumbido nos ouvidos. O balanço do barco, que se preparava para abandonar o cais, foi me provocando uma dormência doce que acabou por me alhear do que me rodeava.
Vim a mim rodeado de gente- os viajantes de volta já lotavam o barco na sua totalidade. Os funcionários iam começar a deslocar o portaló, quando o pisei em direcção a terra firme, o que os levou a olharem-me com impaciência.
Olhei o sol de frente. Estava amarelo-pálido por causa da neblina provacada pelas chaminés das fábricas da cintura indústrial que se prolongava ao longo da margem.
Crianças de escola afluiam rápidamente com semblantes ensonados, no momento em que os homens da manutenção da estrada repintavam a passadeira que dava acesso á escola. Repintavam e praguejavam por causa de pegadas brancas que evoluiam para dentro, depois de alguém ter entornado a lata de tinta branca.

segunda-feira, maio 29, 2006


Passamos a vida a mentir, até, sobretudo, talvez apenas, àqueles que amamos. Com efeito, somente esses podem pôr em perigo os nossos prazeres e fazer-nos desejar a sua estima
Proust , Marcel

daí que


A origem da mentira está na imagem idealizada que temos de nós próprios e que desejamos impor aos outros
Nin , Anais

domingo, maio 28, 2006

Está calor



e o céu nublado. Há um silêncio que me transporta para o ambiente que antecedia o deflagrar das tempestades em Àfrica- lembro que de repente, trovões poderosos ribombavam e massas de água caiam, inundando todo o universo...

terça-feira, maio 23, 2006

A barba

  
cresce há três dias e de passagem reparo que o JD está a um polegar do fundo.
O metálico da porta do elevador soou quando se fechou atrás de mim.
A claridade picou-me a vista... ou teria sido a crise de vulgaridade por que passava provocada por falta de criatividade, vácuo mental?
Devia estar com um aspecto gainsbourguiano porque o sorriso luminoso da vizinha, desta vez amareleceu, com o "salut, ça va?" dito sem a convicção do costume.
Segundo as gordas dos jornais do quiosque, nada de significante. A "vida" continuava.
O café sem açucar escaldou-me o estômago. Devo ter dito algo que não me lembro, pois a bar maid olhou-me plo canto do olho.
Atestei. O POS estava off... "depois passo cá", disse.
Enfiei-me a custo no décimo nono itinerário complementar, que de complemento nada tem. A borregada, da qual eu me sentia o carneiro mor, lá ia, obedientemente perfilada e a queimar combustivel, furiosamente... parada.
No rádio, a euforia antecipada pela proximidade de mais um campeonato.
Reparei no cadáver do gato ao pé do separador... apodrecia ali há uns quatro ou cinco dias. Machado Vaz falava de arrebatamentos e folguedos amorosos.
Porra... as artimanhas a que recorremos para silenciar a consciência que teima em nos boicotar...


-Se choras por não ver o Sol, as tuas lágrimas impedir-te-ão de ver as estrelas-

Tagore

segunda-feira, maio 15, 2006

squizo



A noite vai desabando sobre mim.
Debussy toca baixinho na Antena 2.
Olho para a escrita. A solidão é aquela muralha negra com que esbarramos quando queremos respostas, que ela própria elabora.
Somos alpinistas sem equipamento quando queremos transpor os nossos Everests solitários- cada um tem o seu, mais ou menos íngreme.
Somos só nós e a solidão... ou somos apenas nós? Se ela se nos afigura como algo a transpor, logo constitui um ente exterior a nós... mas se é produzida por nós, como se transpõe algo que nos é intimo... o texto está a ir por caminhos esquizóides. A plasticidade do espírito propôe-me um desfecho diferente.

Debussy acabou e do quase silêncio emergente ouvi passos apressados no corredor exterior (?). Dois toques breves. Abri- eram Batman, Robin, Calvin e a Wonder Woman. Perguntaram em unísono um " Então? ", perfeitamente dobrado pela produção que os acompanhava. Tinha-me atrasado. Peguei de rompante na capa que estava no bengaleiro e lá fomos todos no Batmobile a grande velocidade, directo a um crime imaginado plo gajo do script.
Cá atrás iamos encafuados eu, a Super Mulher e o puto, a quem perguntei pelo Hobbes- parece que a mãe o tinha posto na máquina de lavar- numa última tira, tinha caído num lamaçal e estava a secar. No aperto do veículo (claro que não é um utilitário) e da condução espectacular do Batman, Wonder Woman confessava: " I'm feellin lonelly, latelly, you know...". Respondi, "Ok, stay tight...".
Também eles, pensei.

sexta-feira, maio 12, 2006

Ingenuidades

    Temos percursos paralelos e trajectos que se cruzam, emaranhando-se por vezes. A  individualidade é teimosamente mantida, mesmo após os conceitos de tribo esbatidos e gastos. Basta o azedume como referência reinante para que a falta de disponibilidade deixe de ser ocasional e o cinismo impere, refogando os queixumes e as quimeras do cidadão remoto que até é nosso vizinho. Identificamo-lo ocasionalmente. Afinal dividimos a mesma sargeta, somos mordidos por desejos e carências que nos toldam o descernimento, transportamos o mesmo catálogo de vicios que nos chicoteiam a mente e as perspectivas. Só que se tem de individualizar os fragmentos que escorrem no paralelismo habitual... feito " never ending"  maratona , em que nos tocamos, ouvimos, tropeçamos, mas que, por ser imperioso teremos que liderar de qualquer forma. Darwin dixit??


quarta-feira, maio 10, 2006

Rituais


    Repetidos, os rituais cadenciam-se. Sempre iguais, vão amarelecendo como  páginas de um missal enunciador de lenga-lengas que se decoram sob claustros espelhados, que reflectem novamente... o mesmo. E isso transmite segurança... por sabermos o desfecho do filme-  como que alcançamos a imortalidade e a bem aventurança... a euforia, o zen...?


    As alterações da consciência, sejam elas feitas de que maneira forem, proporcionam aquele efeito de puxar de tapete momentãneo. Esmagamos as feições de encontro almofadas que alegre e avisadamente amontoamos ao redor das nossas existências. Mas raramente há sangue saindo do canto da boca ou dos ouvidos.


    O olhar continua vítreo. Para que se torne expressivo, só mesmo com nova alteração de consciência, ou provocada pela sazonalidade ou por uma mesmice anfetamínica, refinadamente hi-tek, a raiar a erosão que o legado depressivo produziu, por causa das quedas de encontro ás esponjas das circunstâncias.

sexta-feira, abril 28, 2006

Pros and cons




Devia-se estar sempre apaixonado. É a razão pela qual nunca nos devíamos casar.
Wilde, Oscar

terça-feira, abril 04, 2006

o espinho




vai emergindo de uma greta na lápide do ontem

as águas do devir jorram na torrenteza do passado
por baixo das pontes que encimam a pujança do tempo

as névoas do meu futuro sublimaram-se e ficaram
empedernidas na teia da borucracia vibrante
qual caruncho alimentando-se da estrutura metálica do passível

os seres desfilam de lábio pendente e olhar estrábico
encaminhados por uma retórica crua e incolor
a caminho da ponte do esquecimento que vai dar a margem alguma

segunda-feira, abril 03, 2006

Sou descendente

de agricultores que fugiram ás agruras do campo, eram passadas cinco décadas do século passado.
Fui parido e criado cá na urbe, dando-se assim inicio ao corte da ambiência que vinha formatando a carga genética dos meus antepassados.
Lembro-me então que, pelo menos uma vez por ano, na altura das férias se regressava á aldeia beirã. Não sei de que parte da minha infância me chegam as primeiras recordações lá do sítio, mas as que tenho estão bem vivas ainda- gostos de maçâ reineta, cebola, aromas de bosta, terra acabada de lavrar, todo um manancial de sensações que marcaram as minhas primeiras incursões plos meandros campestres, cheias de curiosidade pelo desconhecido e pela novidade, já que cá na cidade era fechado a sete chaves, guardado das pretensas ciladas urbanas, não me fosse acontecer algo de extremo.
Surge então a imagem do meu avô no meio de todo o resto. Vem até mim numa moldura fora do contexto, como que enquadrada noutra realidade. Na minha pequenês da época, olhava-o cá de baixo com admiração- tinha mãos rudes e grandes, sendo que se baixava e me pegava ao colo, ficando eu á altura do seu sorriso e da sua calva enorme- olhava-me com um olhar cor de mel claro com um silêncio eloquente, que terminava quase sempre com um beijo na testa que eu me apressava a limpar.
Recordo com saudade infinita, as viagens a caminho de uma propriedade que ele cultivava, encavalitado na burra, extasiado com a altura e os balanços e a obsessão de não cair- "segura-te", dizia-me.
O avô era carpinteiro- fazia carros de bois, sendo o único artesão que se dedicava ao metier num raio de Kms. Foi um negócio próspero, na medida em que tinha o exclusivo de uma clientela numerosa... nunca lhe conheci ajudantes. Usava métodos de produção quasi rudimentares, mas o produto final era perfeito. Esculpia a madeira de sobro na perfeição sempre com ferramentas manuais. Quem me dera ter herdado o seu talento...
Guardo a sua memória com saudade, como um pôr do sol de outono cuja paisagem não se repetirá. Morreu há dezassete anos por esta altura. Presto-lhe homenagem assim... até um dia avô.

domingo, abril 02, 2006

"A Pessoa




que julga estar sempre na posse da verdade demonstra uma ignorância suprema, além de uma arrogância intolerável. (...)mas pensar que já sabemos tudo, que a única missão dos que nos rodeiam é escutar-nos, denota uma miopia que nem o laser seria capaz de corrigir"

Maria Jesus Álaya Reyes

quarta-feira, março 29, 2006

Valores




Abdicando de um mundo de valores sem os quais a vida carece de sentido, actuamos como se tudo estivesse presidido pelo conceito materialista da produtividade, da rentabilidade, do lucro.

José Carlos Fajardo

terça-feira, março 21, 2006

Poesia



Defino a poesia das palavras como criação rítmica da Beleza. O seu único juiz é o gosto.


Poe, Edgar





Fazer poesia é como fazer amor:nunca se saberá se a própria alegria é compartilhada.

Pavese, Cesare

sábado, março 18, 2006

O tempo




O tempo é um grande mestre; tem porém o defeito de matar os seus discípulos.


Berlioz, Hector

Os mitos pessoais




explicam o mundo, orientam o desenvolvimento individual(...) A criação de mitos (...) é o principal mecanismo psicológico (embora a maior parte das vezes passe despercebido), através do qual os seres humanos colocam a realidade em ordem e abrem caminho ao longo da vida. A mitologia com o seu simbolismo e narrativa apelativa, é a liguagem natural da psique.

David Feinstein

quinta-feira, março 16, 2006

Pinc Phloid




remember when you were true?

...sou demasiado purista no que toca a estas coisas- Off the Wall?
foi uma pena...

è sempre em frente




não me rendo ou então não me enquadro não me encaixo no que resta do puzzle, ficando no rol das peças malformadas que engrossam o monte dos expectantes a quem cortaram cerce as saliências que sugerem o outro caminho

quarta-feira, março 15, 2006




O presente quase não existe- é uma fina lâmina que nos separa do passado.

Javier Cercas

segunda-feira, março 13, 2006




Se os psicólogos das profundezas conseguiram demonstrar alguma coisa, foi que nós, os humanos, somos museus psíquicos ambulantes. Cada um de nós traz consigo a arqueologia psiquica da espécie. Os terrores sem nome que aterraram os nossos antepassados foram recalcados mas não desenraizados.


Michael Grosso

Duas coisas




são infinitas: o universo e a estúpidez humana. E quanto ao universo não tenho a certeza.

Einstein

quinta-feira, março 09, 2006

A Sociedade é um Sistema de Egoísmos





A sociedade é um sistema de egoísmos maleáveis, de concorrências intermitentes. Como homem é, ao mesmo tempo, um ente individual e um ente social. Como indivíduo, distingue-se de todos os outros homens; e, porque se distingue, opõe-se-lhes. Como sociável, parece-se com todos os outros homens; e, porque se parece, agrega-se-lhes. A vida social do homem divide-se, pois, em duas partes: uma parte individual, em que é concorrente dos outros, e tem que estar na defensiva e na ofensiva perante eles; e uma parte social, em que é semelhante dos outros, e tem tão-somente que ser-lhes útil e agradável. Para estar na defensiva ou na ofensiva, tem ele que ver claramente o que os outros realmente são e o que realmente fazem, e não o que deveriam ser ou o que seria bom que fizessem. Para lhes ser útil ou agradável, tem que consultar simplesmente a sua mera natureza de homens. A exacerbação, em qualquer homem, de um ou o outro destes elementos leva à ruína integral desse homem, e, portanto, à própria frustração do intuito do elemento predominante, que, como é parte do homem, cai com a queda dele. Um indivíduo que conduza a sua vida em linhas de uma moral altíssima e pura acabará por ser ultrajado por toda a gente - até pelos indivíduos que, sendo também morais, o são com menos altura e pureza. E o despeito, a amargura, a desilusão, que corroem a natureza moral, serão os resultados da sua experiência. Mas também um indivíduo, que conduza a sua vida em linhas de um embuste constante, acabará, ou na cadeia, onde há pouco que intrujar, ou por se tornar suspeito a todos e por isso já não poder intrujar ninguém.

Fernando Pessoa, in 'Os Preceitos Práticos em Geral e os de Henry Ford em Particular'

quarta-feira, março 08, 2006

Poesia




no feminino




Género complementar, o feminino?
è esquisito... como se celebrasse hoje um memorando de algo que não se deve esquecer... como se num "livro de deve e haver" estivesse um marcador a lembrar-nos de algo passível de esquecimento, como aqui, p.e. O tempo é de agruras, mais que provável para exercer bom senso... por causa disto ou disto

sábado, março 04, 2006

Blue




"Estou apaixonado", confessou-me depois. Aquilo aborreceu-me: "Como podes apaixonar-te por alguém que não conheces?...". Pierre suspirou: "Precisamente. Ninguém se apaixona por um conhecido. O que eu acho, aliás, é que a paixão termina no momento em que se conhece o outro".

Faiza Hayat- xis

Imaginação




Imaginar, é um exercicio perigoso. È muito fácil acreditar no que imaginamos. È muito difícil deixar de acreditar. A imaginação corrompe a realidade.

sexta-feira, março 03, 2006

Sphere




Como primordial e basilar, esfera, a forma inicial.
Quando apareceu a geometria, o seus iventores há muito tempo se debatiam com as formas que tendiam para a perfeição, mas que não igualavam a suavidade esférica.
Com a progressão social e, como contraponto, foram-se multiplicando conceitos e elaborando multiplicidades de reacções aos mesmos. Em sentido figurado, começaram-se a formar as "esferas" individuais- a nivel de relacionamentos, interpretações, estéticismo, cultura. As probabilidades de aventura fora do "núcleo esférico" individual foi-se tornando esparso, na medida em que o preenchimento da esfera própria foi tomando proporções inauditas (ou não).
Vamos gravitando na linearidade do que chamamos tempo, rodeados da nossa esfera existêncial, perfeitamente definidos e isolados.

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Way out




rodeado de formas rectilineas e angulares, busco a natureza na sua simplicidade

terça-feira, fevereiro 21, 2006

Useless?


Old trash
Originally uploaded by imnogud.

Por mais variadas as classe ou status em que nos debatamos, todos vamos cair no mais democrático dos substractos- o pó

Reflected, 40% alcohol



.

Mestre, até sempre


sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Self Cage




Viver em confronto com factores externos ao self, tenta-se contornar.
Em confronto permanente connosco mesmos, só mesmo com ajuda de fora, o que vem assim a constituir um factor externo o qual se tem de contornar... a vida é do caraças...

Looking back

"Um homem vem caminhando por um parque quando de repente se vê com sete anos de idade. Está com quarenta e poucos. De repente dá com ele mesmo chutando uma bola perto de um banco onde está a sua babá fazendo tricô. Não tem a menor dúvida de que é ele mesmo. Reconhece a sua própria cara, reconhece o banco e a babá. Tem uma vaga lembrança daquela cena. Um dia ele estava jogando bola no parque quando de repende aproximou-se um homem e... O homem aproximou-se dele mesmo. Ajoelha-se, põe as mãos nos seus ombros e olha nos seus olhos. Seus olhos se enchem de lágrimas. Sente uma coisa no peito. Que coisa é a vida. Que coisa pior ainda é o tempo. Como eu era inocente. Como meus olhos eram limpos. O homem tenta dizer alguma coisa, mas não encontra o que dizer. Apenas abraça a si mesmo, longamente. Depois sai caminhando, chorando, sem olhar para trás.

O garoto fica olhando para a sua figura que se afasta. Também se reconheceu. E fica pensando, aborrecido: quando eu tiver quarenta, quarenta e poucos anos, como eu vou ser sentimental!"


Luís Fernando Veríssimo em Comédias para se Ler na Escola

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Optei




p'lo banho de imersão. O cansaço e as nevralgias provocadas pelo inicio gripal assim mo aconselharam.
Entrei no líquido azulado p'los sais. A sensação esperada chegou e assenhorou-se da lucidez que se foi disolvendo entre o vapor das essências aromáticas. Completamente abandonado á lassidão entrei noutro grau de consciência: foram-me surgindo ideias surreais como Maome caricaturado à frente do programa nuclear iraniano, a gripe das aves a entrar pela av da Liberdade acima, a homossexualidade suspeita de alguém pseudo fundamentalista e a querer provar algo... a conjugação de partículas elementares a permiti-lo.
A arte imita a vida? Ou é um pressuposto do que ela poderia ser? As dádivas da noite são eternas?

World Press Photo

Eis a foto premiada deste ano, de Finbar O'Reilly. A força do olhar...  Posted by Picasa

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Do alto

 da minha visão e (pre)conceitos analizo.
Apesar dos óptimismos dispersos, não há sustentabilidade que legitime os lindos olhares que se vislumbram, as cores que se combinam, os volumes que se pronunciam.
A poesia continua a ser aquela foice que faz cair os caules do convencionalismo e esventra as verdades mastigadas que vão escapando de lábios entreabertos...
Ah, e tal... porque o piso está molhado... mas corre-se como se se estivesse no pico solarengo de Julho. E o metal corta e penetra as carnes dos incautos apressados que tentam honrar compromissos... e contribuem assim para a estatistica.
Estatisticas e sondagens- pseudo realidades que nos abrem a mente e predispõem a verdade de modo percentual...
Está nevoeiro. Quando se dissipar, será que continua o que lá estava antes?- pessoas sem alma e sem esperança que acumularam ódios, vinganças e frustrações, que caminham dobradas sobre si mesmas ao peso de uma zanga que mantêm permanentemente com a vida?...
A chuva tamborila no tejadilho, entrecortada pela passagem do limpa-parabrisas. O rádio toca baixinho Ivan Lins, "Lembra de Mim?"
Um café sabia bem agora... não, um irish cofee quentinho era capaz de me fazer levitar...
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quarta-feira, janeiro 25, 2006

A solidão

 
é um bom lugar para se visitar, mas não é nada bom para se lá ficar.

Billings, Josh Posted by Picasa

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Cìclico

 

Está a fazer um ano que iniciei cá o sitio.
Há um ano atrás era-se chamado, como agora, a exercer a democracia. Lembro-me de a ter posto em causa.
Após um ano, muita água passou debaixo das pontes, das quais nos debruçamos para ver a correnteza... foram enxurradas de mais do mesmo... fomos chicoteados pelos órgãos de informação por catadupas de escandaleiras que nos vão calcando a consciência, que incrédula, se tem vindo a acomodar ás enormidades que vão aparecendo.
Interrogo-me se a democracia é exequível neste país serôdio e sebastianista por natureza. Sobrevive-se em nome dela e vegeta-se em nome da economia de mercado, do neoliberalismo- olhando para o umbigo (saldo bancário), alheamo-nos da realidade circundante e fazemos fila periodicamente a caminho da... urna, já que á falta de melhor, é o sistema que nos é impingido e que democráticamente nos vai subvertendo... e me permite escrever coisas como esta. Posted by Picasa

segunda-feira, janeiro 09, 2006

FRASE DO DIA

"Já que você nasce sem pedir e morre sem querer, aproveite bem esse intervalo."

who knows

quinta-feira, janeiro 05, 2006

A vida é curta

e tediosa: passa-se inteira no desejar. Adiam-se para o futuro o repouso e as alegrias, muitas vezes até à idade em que os melhores bens, a saúde e a juventude, já desapareceram. Essa época chega e ainda nos surpreende em meio a desejos; estamos nesse ponto quando a febre nos arrebata e extingue: caso nos curássemos, seria apenas para desejarmos por mais tempo.

Jean de La Bruyére
, in 'Do Homem'